Milhares de pessoas participaram hoje (17) de
um ato contra a intolerância religiosa, na Praia de Copacabana, na zona sul da
cidade no Rio de Janeiro. O ato, organizado pelas organizações não
governamentais Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e Centro de
Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), reuniu principalmente fiéis de
religiões de matriz afro-brasileira, mas também representantes de igrejas
cristãs, da comunidade judaica e de outras religiões (Baha'i, wicca,
kardecista, budista e Hare Krishna).
Esta foi a décima edição
da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, realizada poucos dias depois da
divulgação de vídeos em que aparecem criminosos, supostamente cristãos,
ameaçando lideranças de religiões afro-brasileiras e obrigando-os a destruir
seus terreiros, localizados em comunidades carentes do Rio de Janeiro.
O organizador da
caminhada, babalawô Ivanir dos Santos, lembrou que a primeira caminhada, em
2008, foi realizada justamente por causa de um episódio em que traficantes evangélicos
ameaçavam os terreiros em favelas controladas por eles.
“Nesse período, o que houve foi uma omissão
[das autoridades]. Não houve nenhuma investigação para prender os responsáveis.
Mas o importante é que a manifestação traz muita indignação, mas estamos
pedindo paz. Somos um povo de paz, apesar de sermos agredidos nas ruas, nossas
casas serem queimadas, nosso sagrado ser destruído, tudo o que pedimos é paz”,
disse o líder religioso.
Para a representante do
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, pastora luterana Lusmarina Campos Aguiar,
a atitude de cristãos que agridem ou ameaçam outras religiões não é cristã.
“Essa não é a perspectiva de Cristo. Não é a perspectiva dos evangelhos. Jesus
diz que temos que aprender a amar uns aos outros. A lei maior do Cristo é a lei
do amor”, lembrou a pastora.
O secretário nacional de
Políticas de Igualdade Racial, Juvenal Araújo, informou que o governo federal
está acompanhando de perto os desdobramentos desses recentes casos de
intolerância religiosa. Desde a última sexta-feira (15), ele se reuniu com o
procurador-geral de Justiça do Rio, José Eduardo Gussem, e com representantes
das secretarias estaduais de Segurança e Direitos Humanos.
Fonte:jornal do brasil

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